Autoimagem de Sábio ou Guru

25 10 2016

Usamos muitas estratégias para sobrevivência e o fazemos uso delas desde a infância. No processo da vida vamos elaborando cada vez mais, usamos da racionalização, intelectualização e sublimação à medida que vamos estudando e nos aprofundando na compreensão das coisas.

Estes mecanismos criam muitos pontos cegos, de maneira que não conseguimos mais enxergar num determinado ponto nossas distorções. Ai está o risco, muitos em torno de nós enxergam, mas resistimos ouvir e tendemos a nos afastar dos mesmos para não termos que confrontar o que nos incomoda.

Explicamos, justificamos, damos desculpas, criamos ou endossamos teorias que nos mantenha em nossos lugares conhecidos para não enfrentarmos nossos incômodos.

A mais complicada delas é quando vamos nos achando especiais, diferenciados e mais elevados que os demais, nos identificamos com o guru, o mestre, o iluminado ou quase. Passamos a acreditar nisto e nosso comportamento muda discretamente ou ostensivamente, e passamos a querer ter alguns privilégios e consideração pelos nossos pretensos dons ou qualidades elevadas. Se somos diferentes temos que nos destacar ainda mais mudando algo na nossa aparência, aspecto, entoação da voz, uso das palavras, gestos etc.

Este estado pode ofuscar o nosso discernimento, e nos levar ao retraimento e ao isolamento e com o tempo a prejudicar nossas saúde física ou mental. Este estado é comum nos buscadores da luz, há uma tendência natural de reforçarmos nossas diferenças no sentido de melhorarmos nossa estima. E também são armadilhas de nosso ego que não quer abrir espaço para nossa verdadeira luz.

Uma reflexão que pode nos ajudar, é lembrarmos sempre que todos somos iguais em importância, não há melhores ou piores, não há acima ou abaixo, não há os unicamente certos e outros unicamente errados, somos todos falhos, imperfeitos e filhos da mesma luz.

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Desfazendo-se de algumas ilusões

13 06 2010

Uma das maiores causa de nossas dores são algumas de nossas ilusões. Uma das piores é a de querermos o mundo, o outro e a si mesmo perfeitos.

Para diminuirmos nossas dores, sofrimentos é imperioso aceitar as próprias imperfeições, as dos outros e as do mundo. Essa é a nossa realidade, a realidade que nos cabe na nossa condição evolutiva e estado de alma.

É necessário aceitar a dor como parte natural de nossa vida, aprender com ela e superarmos a necessidade específica de aprendizado que ela nos sucita.

Uma ilusão muito comum é a de querer o melhor da vida sem pagar o preço do autoenfrentamento, crescimento e amadurecimento espiritual.





Autoaceitação

12 06 2010

Não é possível reformar-se sem a aceitação completa de quem somos,  com todas as nossas qualidades e imperfeições.

O ponto básico para a transformação interior é aceitar a própria humanidade. Ser “humano”,  é ser inteiro,  integrar internamente todos os aspectos rejeitados por nós.

Aceitar as imperfeições não é se tornar conivente ou leniente, é antes de tudo reconhecê-las,  aceitá-las como  partes nossas e só assim, transformá-las.

Aceitar que temos imperfeições nos leva muitas vezes a culpa, auto-recriminação e autopunição. Levando em consideração que as imperfeições ainda fazem parte da realidade humana, não há porque culpar-nos como se fossemos os únicos que as tivéssemos.

Potencialmente temos em nós germens de todas as imperfeições e todas as qualidades.

Aceitar-se humano é aceitar não ser especial ou diferente do restante da humanidade.

No fundo, não aceitar a própria humanidade é querer estar acima do comum, é se achar em algum nível melhor ou mais evoluido espiritualmente.

Aceitar nossas imperfeições não é motivo de tristeza, mas de alívio, só dessa forma, podemos abrir mão da exigência de uma perfeição ainda inalcançável.

Só dessa forma, podemos alcançar a verdadeira alegria, que é ser quem realmente podemos ser nesse exato momento, estando aberto para melhorar sempre para expressarmos nossa luz interior.





Fortalecendo-se

20 05 2010

A jornada da autoconhecimento e transformação interior requer alguns cuidados.

Imagine-se fazendo uma grande viagem, podemos fazer de muitas formas e provavelmente todas podem ser validas, mas nem sempre dão o mesmo resultado. Podemos pender para um excesso de zelo e cuidado no intuito de que chegarmos ao destino, mas a jornada não é chegar só ao destino, ela é muito mais que isto, é todo o processo da caminhada que se for superficial chegaremos a algum lugar, mas com certeza não a um lugar em que nossa alma aspira. Podemos também pendemos para o excesso de confiança e improvisação no intuito de aproveitarmos o máximo de cada experiência e de cada passo na jornada, mas podemos nos perder sem algumas referências necessárias e irmos parar em outro destino, diferente do que também nossa alma aspira.

Neste sentido precisamos também de um meio termo, termos alguns cuidados e darmos espaço também para alguma improvisação.

Fortalecer-se pode ser um cuidado. A jornada da autodescoberta necessita de força e estrutura, um corpo forte e saudável (dentro do possível), um ego bem estruturado, um equilíbrio energético e maturidade emocional.

Se desprezamos o corpo podemos ficar no meio do caminho e pagaremos um preço indigesto, se negamos o ego arriscamos nossa higidez mental e arriscamos a nos perder, se não nos cuidamos energeticamente não iremos muito longe, e por fim se negligenciamos as nossas emoções seremos consumidos pelas tormentas da jornada.

Nesta jornada precisamos dos pés firmes no chão, o corpo erguido, o olhar seguro e atento, os sentidos nas paisagens e o coração e mente voltados para o anseio da alma.





Cuidar-se

20 05 2010

No processo de autoconhecimento temos momentos de grande alivio, prazer e também de muita dor. Entramos em contato com nossas ilusões, nossas crenças distorcidas sobre nos mesmos o outro e sobre a vida, com o nosso passado e as estratégias que criamos para sobrevivermos.

Descobrimos nossos muitos eus, aprendemos a nomea-los, nos decepcionamos conosco mesmos e aliviamos também muitas auto-exigências. Tudo isto consome muita energia, e nos tira do eixo em muitos sentidos.

O ato de conhecer a si mesmo, seu universo interior pode gerar alguns distúrbios em seu funcionamento mental e também físico. Poderíamos dizer que é um bom desequilíbrio em função de seu resultado mais profundo, mas também se não cuidarmos pode ser inconveniente e incomodo.

Alguns cuidados básicos podemos ter nesta aventura de autodescoberta: Cuidar bem do corpo (cuidando da alimentação, fazendo exercícios, alongamentos, tomando sol, tomando muito liquido, dormindo bem),  diminuído as tensões do dia a dia (através de práticas como yoga, Tai-chi, relaxamento psicofísico, etc.). Entrar em contato com freqüência com a natureza, descansar a mente (meditação, visualizações), procurar ajuda de profissionais de saúde física e mental quando necessário. Recolher-se sempre que possível na prece, na leitura edificante para a alma e na conecção espiritual.