Autoimagem de Sábio ou Guru

25 10 2016

Usamos muitas estratégias para sobrevivência e o fazemos uso delas desde a infância. No processo da vida vamos elaborando cada vez mais, usamos da racionalização, intelectualização e sublimação à medida que vamos estudando e nos aprofundando na compreensão das coisas.

Estes mecanismos criam muitos pontos cegos, de maneira que não conseguimos mais enxergar num determinado ponto nossas distorções. Ai está o risco, muitos em torno de nós enxergam, mas resistimos ouvir e tendemos a nos afastar dos mesmos para não termos que confrontar o que nos incomoda.

Explicamos, justificamos, damos desculpas, criamos ou endossamos teorias que nos mantenha em nossos lugares conhecidos para não enfrentarmos nossos incômodos.

A mais complicada delas é quando vamos nos achando especiais, diferenciados e mais elevados que os demais, nos identificamos com o guru, o mestre, o iluminado ou quase. Passamos a acreditar nisto e nosso comportamento muda discretamente ou ostensivamente, e passamos a querer ter alguns privilégios e consideração pelos nossos pretensos dons ou qualidades elevadas. Se somos diferentes temos que nos destacar ainda mais mudando algo na nossa aparência, aspecto, entoação da voz, uso das palavras, gestos etc.

Este estado pode ofuscar o nosso discernimento, e nos levar ao retraimento e ao isolamento e com o tempo a prejudicar nossas saúde física ou mental. Este estado é comum nos buscadores da luz, há uma tendência natural de reforçarmos nossas diferenças no sentido de melhorarmos nossa estima. E também são armadilhas de nosso ego que não quer abrir espaço para nossa verdadeira luz.

Uma reflexão que pode nos ajudar, é lembrarmos sempre que todos somos iguais em importância, não há melhores ou piores, não há acima ou abaixo, não há os unicamente certos e outros unicamente errados, somos todos falhos, imperfeitos e filhos da mesma luz.

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Viver a perda

11 10 2010

 

Texto de Leandro Pontes

Psicólogo 01-13641

membro da Comunhão Espírita de Brasília

 

Lidar com a perda nem sempre é algo fácil de se fazer, visto que é algo que temos de lidar com os nossos mais primitivos sentimentos de desamparo e vulnerabilidade. Mas como e o que fazer diante da situação inevitável de lidar com a perda do objeto amado?

Muitas vezes criamos espelhos das nossas relações pessoais no nosso inconsciente de forma fantasiosa, criamos um ser amado que não existe e jamais existirá no mundo real e, no entanto, trazemos para o mundo real toda a carga de demanda emocional e frustração para com o nosso ser amado. Alguns estudiosos do assunto dizem que quanto mais se ama mais se sofre, porém, como um sentimento tão sublime quanto o amor pode causar tantos danos? Certamente, encontraremos a resposta na forma com que construímos e administramos esse sentimento. Freud dizia nos idos de 1913 que “Nunca estamos tão mal protegidos contra o sofrimento como quando amamos, nunca estamos tão irremediavelmente infelizes como quando perdemos a pessoa amada ou o seu amor”.

Precisamos reconhecer em nós os sentimentos que nos são característicos, conhecer os eventos que desencadeiam as nossas mais primitivas e elaboradas emoções, conhecer em nós mesmos os efeitos físicos que os sentimentos nos causam, enfim, ter consciência corporal dos sentidos.

Quando uma pessoa perde uma pessoa amada dizemos que o sentimento característico é o sentimento da dor e quando há a ameaça da perda, dizemos que há a angústia diante da ameaça da perda, como se o nosso corpo já preparasse todas as nossas ferramentas conscientes e inconscientes, para lidar com a possível ameaça a nossa harmonia estrutural.. Mas e quando a perda vem de forma abrupta e irreparável como na experiência da morte de um ente querido? Essa dor que não pôde ser amortecida e de certa forma preparada pela angústia, causará no indivíduo que a experimenta a dor traumática que desestrutura o sujeito, de tal modo que não consiga, no nível consciente, experenciá-la e resignificá-la de forma a se restabelecer de prontidão, ficando efetivamente um trauma, podendo, inclusive fazer da dor física um sintoma da dor emocional.

Há, portanto, urgência no conhecimento daquilo que se sente para que possamos reconhecer os momentos em que estamos na condição de ajudar a dor do outro ou na condição de receber auxilio. Há de se reconhecer à existência daquilo que o psicanalista J-D Nasio, intitula de Dor de Amar, que de acordo com o autor, essa dor é o afeto que traduz na consciência a reação defensiva do eu quando, sendo comocionado[1], ele luta para se reencontrar, neste caso, segundo o autor, a dor é uma reação.

Diante dessa dor, que não pode ser representada em sua totalidade em palavras, o indivíduo sob risco de se esgotar psiquicamente e emocionalmente, concentra suas forças em um só ponto: a representação do amado perdido. A partir desse momento a consciência do sujeito fica inteiramente ocupada em manter viva a imagem daquele que se foi, até mesmo colorindo de cores mais vivas e positivas o amado perdido daquelas que anteriormente se tinha consciência.

Esse artifício desempenha papel primordial em preservar o sujeito do esgotamento de suas emoções atirando-a em um luto patológico que causaria dados incalculáveis a sua vida.

Elisabeth Kübler-Ross, médica suíça que se dedicou aos cuidados paliativos e desenvolveu a teoria da morte e o morrer[2], apresentou cinco fases no processo de assimilação da angústia da perda ou da perda abrupta, em outras palavras, do luto, são elas:

1.      Negação – Serve de amortecedor para o impacto da perda até que a pessoa tenha condições minimamente razoáveis de lidar com o ocorrido.

2.      Raiva – O sujeito já assimilou o fato (a perda, o diagnóstico e seu prognóstico sem expectativa ou a amputação de um membro, por exemplo) tenta de algum modo culpar algo ou alguém por sua incompreendida situação como meio de encontrar racionalidade a dor.

3.      Negociação – No desespero diante do ocorrido e do despreparo emocional para lidar com a perda o sujeito “tenta” barganhar com a espiritualidade algo em troca da restituição daquilo que foi perdido.

4.      Depressão[3] – É uma fase de preparação para a fase seguinte, o sujeito tende a se repensar ou repensar a relação com aquele que se foi. Esta é a fase em que o silêncio significa muita coisa, pois está repleto de reflexões que não podem ser verbalizadas em sua totalidade.

5.      Aceitação – O sujeito passa a aceitar a sua condição seja do ângulo de quem vive uma doença terminal ou alguém que perde o ser amado.

Inicialmente as fases citadas foram elaboradas para descrever o processo da morte e do morrer, ou seja, para aquele que perde o ser amado e para aquele que vivencia gradualmente a sua morte por uma doença terminal, contudo, com o aprofundar dos estudos sobre essas questões, essas fases são aplicadas nos dia de hoje de uma forma geral a todos os processos de enlutamento, de perda do objeto amado, ex: separações, perda de membros do corpo, doenças incuráveis.

Acontece, de forma gradual, entre um pólo e outro; entre a fase de negação e a fase de aceitação um processo de desinvestimento e outro de superinvestimento. No primeiro, acontece que o sujeito, inconscientemente, retira todo investimento emocional das suas representações e demais vínculos afetivos para superivesti-los intensamente na representação daquele objeto que se perdeu, causando o luto. O psicanalista J-D Nasio[4], conclui que esse esvaziamento súbito causado pelo desinvestimento é tão doloroso quanto o superinvestimento em um único objeto de amor, considero até que a manutenção desse supervinvestimento propicia o desenvolvimento de psicopatologias. Nasio resume a dor de amar como: “o afeto que exprime o esgotamento de um eu inteiramente ocupado em amar desesperadamente a imagem do amado perdido. O langor e o amor se fundem em dor pura”.

Assimilar a perda nem sempre é fácil, ainda mais quando não trabalhamos em nós o desapego ou a crença em formas mais elaboradas e evoluídas de transformação da vida e do sentimento, por isso na nossa sociedade o luto é algo tão complicado de se fazer porque simplesmente não paramos para refletir sobre o processo. Não nos repensamos, diria até que não pensamos sobre a perda. Passamos o tempo nos iludindo com a dor ou com formas de entretenimento e anestesias emocionais que bloqueiam a resignificação da perda.

De acordo com Nasio, o luto é nada mais do que uma lentíssima redistribuição da energia psíquica até então concentrada em uma única representação que era dominante para o sujeito que vivencia a perda. Mas nos dias de hoje, realizar o luto está cada vez mais difícil, as relações são substituídas sem serem repensadas, os sentimentos são mascarados com drogas (lícitas ou ilícitas) e condutas de vida que não lhes permitem a análise minuciosa da ferida.

É como se em um cesto de roupas sujas fossemos empilhando uma roupa suja em cima da outra, considerando cada roupa uma metáfora para cada perda/trauma, por fim o cesto há de transbordar e o sujeito terá de encarar todas aquelas roupas de uma só vez. Assim é quando não pensamos nas nossas relações e não dedicamos espaço e tempo para analisar cada uma delas devidamente ao seu tempo, corremos o risco de ter um transbordamento de sofrimento que imperiosamente fará com que teremos de paralisar a vida para lidar com o acúmulo de emoções que não foram assimiladas ao longo do tempo.


[1] Que sofre as conseqüências de uma comoção.

[2] KÜBLER-ROSS, E. Sobre a morte e o morrer. São Paulo, Martins Fontes, 1992.

[3] Não confundir com a patologia depressão descrita na Classificação Internacional de Doenças – CID 10.

[4] NASIO, Juan-David. A dor de amar. Rio de Janeiro, Jorge Sahar Ed., 2007.





Práticas – Sobre o Ego

15 08 2010

(Referente à 8ª palestra)

(Faça os exercícios sempre que possível por escrito em um caderno dedicado a esse fim)

É necessário desenvolvermos um ego forte para estarmos em condição de uma entrega espiritual à vontade de Deus.

Desenvolver o ego para então abrir mão dele. Abrir mão da nossa identificação com essa parte do nosso ser.

O espírito tem que ser senhor do ego e este tem que estar a seu serviço.

1 – Em que áreas de sua vida predominam o ego excessivo, o ego  enfraquecido e o ego saudável?  Divida por áreas da vida:

  1. Parceria – Relacionamento afetivo
  2. Família
  3. Social – Relações interpessoais
  4. Profissional- Carreira
  5. Trabalho
  6. Financeiro
  7. Espirituais- práticas
  8. Cuidados de pessoais (Aparência e Saúde)

Ego enfraquecido – Área em que frequentemente abre mão do que deseja, que deixa de lado e não se empenha,  que não persiste, que deixa para ultima hora ou para depois , que desiste e não luta, que não elabora metas e se o faz, não luta por elas.

Ego excessivo – Área que atua frequentemente de forma  obstinada, exagerada,   gera tensão e estresse,  busca um controle excessivo que tende a ser competitivo,  disputa  poder, com frequência entra em  conflitos.

Ego saudável – Área que flue bem na vida,  não gera sofrimento para nós em nem para os outros e via de regra, não costuma gerar prejuízos. É uma área funcional.

2 – Levando em consideração que o ego excessivo e o ego enfraquecido são expressões e compensações do subdesenvolvimento do ego e que no lugar em que estes aspectos atuam há um lado que não quer crescer, responda:

O que você não quer abrir mão? Perfeição, poder ou prazer absoluto?

O que eu aparentemente ganho em ficar nesse lugar que não quer crescer?

3 – Pergunte-se e liste  no caderno.

Que partes minhas  não querem crescer?

Em que áreas não quero fazer esforços e não quero pagar o preço?

Quais áreas que quero que todos meus direitos sejam satisfeitos sem cumprir meus deveres?

Quais  os prejuízos que tenho por  não desenvolver esses aspectos?

Quais são as minhas perdas?

Qual dano que provoco em mim e para as pessoas que amo?

4 – Em relação ao uso excessivo do ego  e sua identificação com ele, perceba  qual desses aspectos são comuns em você: controle, competitividade, disputa de poder, obstinação, conflitos, tensão, estresse, divisão, necessidade de estar certo, com razão, ganhar, ter vantagem, estar na frente, ser o melhor.

Perceba os ganhos que tem com as atividades de seu ego, perceba as conquistas e realizações que teve na vida a partir de sua atuação na vida, quer na vida prática, na vida social, na vida profissional, na vida religiosa, liste todas no caderno.

Depois disso se dê conta de todos os prejuízos que teve em sua vida pelo seu excesso de atuação do ego. Todas as dores que gerou em você e nas pessoas que ama, liste todas no caderno.

5 – Observe suas relações nas várias áreas de sua vida, principalmente (parceria, familiares, no trabalho e social). Perceba sua competitividade, quer material, social e financeira e principalmente a de pensamentos. Observe como  defende suas idéias, pensamentos, atitudes e comportamentos, como deseja que sua opinião prevaleça. Com quem você mais compete? Se dê conta de como isto traz tensão e desgaste pessoal e da relação.

6 – Busque o que é mais importante para você na vida. Com o que mais se identifica. Uma vez encontrado, entenda que apesar de se tratar de algo tão significativo, você criou um apego a este aspecto, a tal ponto que se tornou uma segunda natureza  e algo que lhe dá sentido de vida. É onde você apóia a identidade do seu ego; este mesmo local que nos dá sustentação e segurança, também impede nosso livre fluir da vida e o contato autêntico com nosso eu verdadeiro e tudo que ele pode nos proporcionar: felicidade, bem aventurança, liberdade ilimitada, plenitude e realização infinita de potenciais internos. Somos muito mais que todo as  coisas que conquistamos. Procure imaginar como seria se deslocássemos nosso centro desse ponto de apego. Como seria nossa vida? Será que não há inúmeras outras áreas na vida para ser desenvolvidas? Se toda nossa vida ficar restrita a um só ponto, o que aconteceria se nós o perdêssemos? Ex. Saída dos filhos de casa, aposentadoria, perda do emprego, de um ente querido, alterações de peso, doenças, velhice, rompimento afetivo, gravidez de uma filha adolescente, drogadição e alcoolismo, perdas matérias e muitas outras situações desafiadoras.

7 – Qual é a relação de seu ego com o outro, com a espiritualidade e com Deus?

Onipotência – Não aceita ajuda, confunde auto-suficiência com independência, tem que dar conta de tudo, só confia em si mesmo, é centralizador, pede ajuda não esperando a resposta, tem a sensação que só pode contar consigo mesmo.

Dependência – Quer sempre ajuda,  que as pessoas façam para ele(a), usa as pessoas como escudo para não ter que enfrentar as situações da vida, tendem a achar que não vão dar conta, não confiam em si mesmo(a)

8 – Faça uma prece, entre em estado de relaxamento ou meditativo e afirme para si mesmo:

“Eu sou senhor do meu ego, ele está ao meu serviço. Sou um ser espiritual”.

“Eu me entrego a vontade divina e deixo a minha vida fluir”





A PSICOTERAPIA DA VIDA

16 07 2010

Muitos, ou melhor, a maioria dos indivíduos desta sociedade universal nunca tiveram nem terão oportunidade de fazer uma psicoterapia do ego ou da alma. E os que podem recorrer a ela não o fazem por vários motivos – desconhecimento de seus beneficios,  desinteresse, preconceito, medo,  falta de acesso ou custo elevado.

A necessidade de crescimento, porém é de todos sem exceção, todos almejam felicidade, amor, e paz. A vida se utiliza então de mecanismo e de uma metodologia de transformação eficaz para todos os casos.

O propósito e o objetivo da vida são alcançar felicidade, alegria, bem estar e plenitude para todos. A vida, que existe em nós e fora de nós, não quer sofrimento e dor para seus filhos; somos nós que geramos tais situações.

A vida em nós é o que chamamos de self, eu verdadeiro, luz interna , Deus interno, centelha de luz. É uma realidade sábia dentro de nós, que não se importa com valores periféricos, normas e regras sociais, apegos e ilusões. Deseja a  plenitude do ser. Além disso, gera o desejo de aperfeiçoamento, a insatisfação constante como forma de mover o ser do comodismo em que se sente estável e seguro.

Em função da nossa necessidade de aprendizado e progresso, atraímos situações inúmeras, a maioria delas de dificuldade. São experiências dolorosas em função, da nossa ignorância de superfície, dos nossos apegos, ilusões, vícios,  separatividade (afastamento do outro, de nós mesmos e de Deus). Mas apesar de dolorosas, elas nos ensinam, aperfeiçoam e ajudam a desenvolvem nossas aptidões.

Com a evolução do ser, o que era quase insuportável, se transforma em  um aprendizado ameno. Nossas dores são de intensidade proporcional ao nosso nível de consciência. Quando inconscientes de nós mesmos, a dor real gerada pelas circunstâncias é somada a uma dor falsa, imaginária, criada a partir de crenças errôneas em relação a nós mesmos e a vida. Essa dor é, na maioria das vezes, muito maior que a dor real. Com a evolução e o auto-aperfeiçoamento do ser, seu nível de consciência se amplia, o que leva a perda progressiva desta dor “falsa”.

A maioria destas crenças são de forte conteúdo emocional. Conclusões errôneas e distorcidas a maioria delas geradas na infância e na fase adulta por imaturidade da alma, são reforçados ao longo da vida por experiências diversas, que atraímos com nossas distorções dentro de um ciclo vicioso autoperpetuador.

Ocorre que, apesar de atrairmos o que perpetua a crença errônea, e complica a dor, a mesma situação a superficializa, isto é, leva-a para o nível consciente. Então, cansado de sofrer, o ser opta por uma nova conclusão, desta vez,  porem, saudável. Isso significa que houve um aprendizado e, esta área especifica, se fez luz, passando a gerar felicidade e harmonia.

Todas as nossas partes escuras geram dor. A vida trabalha cada uma delas até libertá-la, e fazer luz naquele ponto. A ignorância gera dor, a separatividade também. A escolha da separatividade e ignorância é nossa, resistimos a luz que há em nós.

A ignorância que aqui falamos aqui não se refere à falta de cultura ou desenvolvimento intelectual, mas da opção de uma visão estreita e apegada do mundo, que é  pessoal. Dá mesma forma que a vida trabalha nossas partes escuras até a sua libertação, ela também nos dá continuadamente todo tipo de chance, de estimulo de luz e expansão.  Vários são os sinais, muitas são as portas que constantemente se abrem para nos levar ao aprendizado e crescimento pessoal.

Às vezes, nós fazemos valer as circunstâncias geradas pela vida, aproveitando a oportunidade e seguindo rumo a expansão. Em alguns aspectos, porem, resistimos a qualquer custo, apesar de todas as oportunidades e sinais. Permanecemos surdos e cegos para essas verdades e optamos pela resistência e o fechamento em nós mesmo. A  vida se vale de outros mecanismos com o objetivo único de fazer-se luz, plenitude e harmonia.

Já sabemos que a vida se utiliza de meios para fazer crescer e transformar o ser. Alguns destes métodos são pessoais, outros universais, como a necessidade de um conhecimento sistematizado (ciência ); o desejo de progresso, a insatisfação, desejo do aperfeiçoamento; a necessidade do trabalho com método de gerar subsistência, segurança; a necessidade de nutrição afetiva, relacionar-se, de amor. Os  pessoais, visto segundo as necessidade individuais, são as oportunidades e as dores especificas.

Somos movidos por todas estas forças internas e externas cujo  único objetivo fazer melhor o ser, livrá-lo da ignorância, da separatividade, das negatividades e de suas  conseqüências autogeradas de dor e sofrimento.  A dor é o último recurso, gerado por nós mesmos, para nossa própria salvação. Como se vê, muitas são as formas de aprendizado. A dor  é apenas mais uma delas,  talvez a mais primitiva  e, por isto mesmo, o recurso último, embora infalível.

A vida dentro do ser deseja, como já dissemos, expandir, plenificar, transformar em luz, amor e paz toda sombra, egoísmo e tormento. Vivemos um grande psicodrama. O drama da vida e da existência é a nossa cura, temos insights constantes. Vivemos muitas situações e diversos papéis,  situações que nos permite a cura e a libertação de nós mesmos, constituindo também uma escola de aprendizado vivencial.

A vida é uma escola e psicoterapia que atende a todos sem distinção de cor, nacionalidades, raça, credo religioso, ou condição socioeconômica. É acessível, gratuita, amplamente eficaz e conduzida pela sabedoria e amor de Deus.

Conscientizar-se do movimento educador e curativo da vida torna este método universal muito mais efetivo, rápido, e leve, principalmente quando se adere  a ele observando e lendo seus movimentos e tornando-se agente ativo e não agente passivo dos acontecimentos.

O que a vida está nos dizendo agora? O que ela quer nos ensinar?  O que ela pretende em nós curar ou transformar?  São perguntas que temos que nos fazer constantemente.

Fonte: Livro Guia de Saúde Integral – Flávio Vervloet





Práticas – Autoimagem

11 07 2010

(Referente a 7ª palestra)

Lembre-se que a nossa auto-imagem foi construída como pseudo solução para garantirmos a aceitação do meio. O problema é que acabamos acreditando que somos nossa auto-imagem. Buscamos corresponder a essa imagem idealizada o tempo todo. Para podermos fazer escolhas conscientes, precisamos nos colocar num lugar de auto observadores para reconhecer e nomear nossa auto imagem.

  1. Escolha nas idealizações genéricas e arquetípicas, qual a sua auto-imagem idealizada. O santo(a) (Mártir, renunciante, profeta)( o bom espírita, o bondoso, o caridoso, o abnegado) , o(a) guerreiro(a) (Justiceiro(a), herói, bem sucedido/vencedor) (O correto, o disciplinador, o zelador dos princípios) ou o anjo (iluminado(a), guru, sábio(a))(o evoluído, o orador, o imperturbável)
  2. Após a definição compare com sua máscara principal e secundária e veja se corresponde. É comum que nossa auto-imagem tenha correspondência com nossa máscara principal e secundária.
  3. Perceba se consegue ser mais especifico, se consegue caracterizar melhor sua auto-imagem. Ex. Guerreiro, justiceiro, disciplinador ou santo, mártir, caridoso ou anjo, sábio, evoluído.
  4. Encontre o “prazer” e às aparentes “vantagens” que tem em ficar nesta auto-imagem.
  5. Identifique quais as crenças envolvidas com esta idealização.
  6. Identifique em sua vida as conseqüências do uso desta auto-imagem. Identifique a dor que ela gera, as perdas que tem. Identifique o que você exige de você e como fica quando não consegue.

Autoimagem idealizada



Ligado a defesa da amorosidade

Ligado a defesa do

poder

Ligado a defesa  da serenidade

Santo

Herói

Iluminado

Mártir

Guerreiro

Guru

Bom

Mago

Anjo

Renunciante

Justiceiro

Pacificador

O bom espírita

O correto

O evoluído

O bondoso/caridoso

O disciplinador

O orador/orientador

O abnegado

O zelador dos princípios

O imperturbável





Leiam também

1 07 2010




Psicologia Espiritual de Joanna de Ângelis

20 06 2010

Da Psicologia Transpessoal à Psicologia Espiritual de Joanna de Ângelis

Suely Caldas Schubert

“(Os Espíritos) tornam inteligíveis e patentes verdades que haviam sido ensinadas sob a forma alegórica. E, justamente com a moral, trazem-nos a definição dos mais abstratos problemas da psicologia.” Allan Kardec. (“O Livro dos Espíritos”, Conclusão VIII.)

O momento atual é, essencialmente, o das questões psicológicas, a tal ponto que os estudiosos e pesquisadores desse atraente campo estão voltados para um esforço conjunto de se fazer um mapeamento do psiquismo humano, do cérebro e seus meandros e a sua fantástica potencialidade. Estuda-se a mente desde as suas reações a partir do feto até os doentes terminais em idade avançada ou não, e também nas experiências de quase morte (EQM). Há um novo entendimento, uma nova visão e uma constante busca desde que tais especialistas concluíram que existe algo mais além do cérebro.

Foi assim que no final da década de 60 surgiu a Psicologia Transpessoal, como resultado dessas pesquisas, abrindo-se, então, perspectivas ilimitadas e cada vez mais surpreendentes para os que se dedicam a tais estudos.

Exatamente porque começam a perceber e desvendar os domínios do Espírito imortal.

Esse grupo de pesquisadores, liderados por Abraham Maslow, Stanislav Grof, Roberto Assagioli, Roger Walsh e, mais recentemente, Fritjof Capra, Ken Wilber e outros, investiga as possibilidades de manifestação e expansão da mente, admitindo e incorporando aos seus estudos desde as práticas mais primitivas até as mais sofisticadas que englobam fatos mediúnicos e anímicos, e até mesmo casos de possessões espirituais, assinalados na história dos povos, tanto no Oriente quanto no Ocidente.

Por diferentes caminhos, através da regressão de memória que a hipnose terapêutica enseja, outros resultados são alcançados – como a comprovação da reencarnação, por exemplo, fato que por si só revoluciona todas as teorias e paradigmas vigentes. O campo dessas pesquisas é ilimitado.

Parafraseando o Codificador, diremos: “Ergue-se o véu” e começa-se a desvendar os arcanos do Espírito.

A mente do homem encarnado descobre que a mente do Espírito desencarnado subsiste e prossegue além de todas as coisas. Estas evidências, deixadas ao longo dos milênios no rastro luminoso dos fatos mediúnicos, estão sendo, finalmente, percebidas e admitidas pela ciência moderna.

São extraordinários os caminhos humanos e os recursos dos Espíritos Superiores para ensejarem aos cientistas atuais essas conquistas que levarão a Humanidade a uma nova era: a Era do Espírito.

Notável também observamos que Allan Kardec, percebendo a importância das questões psicológicas, e que os Espíritos Superiores estavam trazendo “a definição dos mais abstratos problemas da psicologia”, colocou como subtítulo da Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos.

Estas considerações levam-nos a um pensamento de Calderaro, extraído da obra de André Luiz “No Mundo Maior”: “O homem, para auxiliar o presente, é obrigado a viver no futuro da raça”.

Esta foi sempre a realidade dos grandes vultos da Humanidade.

A Doutrina Espírita, tendo sido elaborada e transmitida pelos Espíritos da Falange do Espírito de Verdade, é, sob este aspecto, uma Revelação, mas simultaneamente apresenta em seus fundamentos a contribuição do homem, na pessoa de Allan Kardec, o nobre Codificador. Assim, é um repositório de verdades eternas, e por isso mesmo, intemporais. O Mestre lionês, correspondendo à altura, pontifica como expressivo exemplo dos que vivem adiante do seu tempo.

Tal é a razão de os ensinamentos da Doutrina dos Espíritos chegarem até nós como se tivessem sido transmitidos no momento atual.

A Espiritualidade Superior, atenta e pressente, não cessa de renovar as lições imortais, acompanhando o progresso humano e mais do que isto: motivando-o através da intuição, trazendo contribuições atualizadas e, em especial, visando os tempos futuros, preparando o homem para uma nova era.

Nesta linha de raciocínio é imprescindível ressaltar a notável contribuição da Mentora Espiritual Joanna de Ângelis, que através da psicografia de Divaldo Pereira Franco tem sinalizado para a Humanidade os rumos seguros para alcançar a paz e a felicidade.

Há dez anos ele inovou, apresentando uma proposta diferente: os temas psicológicos. Quando em suas reencarnações de que temos conhecimento, Joanna sempre esteve adiante do seu tempo, e, atualmente, na Espiritualidade Superior, ela propõe ao ser humano, aturdido e sofredor, uma viagem em busca de si mesmo contando com a segura e fiel participação de seu médium, Divaldo Franco, através do qual ela transmite à Terra o seu pensamento de invulgar brilhantismo e elevação.

Com sua percuciente visão espiritual, Joanna de Ângelis envereda pelos labirintos da mente humana, estudando suas reações e potencialidades e confrontando as conquistas mais recentes da Psicologia Transpessoal com a diretriz espírita, a qual, apresentando o ser humano como Espírito imortal, que antecede ao berço e prossegue além do túmulo, transcende o que até agora foi alcançado pelos pesquisadores terrenos.

Conforme ela própria esclarece “tentamos colocar pontes entre os mecanismos das psicologias humanista e transpessoal com a Doutrina Espírita, que as ilumina e completa, assim cooperando de alguma forma com aqueles que se empenham na busca interior, no autodescobrimento”.¹

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A Espiritualidade Superior, atenta e presente, não cessa de renovar as lições imortais, acompanhando o progresso humano”

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“Plenitude”, “Momentos de Consciência”, “O Homem Integral”, “Autodescobrimento”, “O Ser Consciente”, e o mais recente “Vida: Desafios e Soluções”, são as obras que, especificamente, apresentam a visão psicológica da Mentora de Divaldo, sempre embasada na Doutrina e nos ensinamentos de Jesus, a quem ela denomina de Terapeuta Superior.

Temos como sofrimento, rotina, ansiedade, medo, solidão, neuroses, fobias, mitos, problemas sexuais, arquétipos, vícios mentais, o inconsciente, o despertar da consciência, a conquista de si mesmo e muitos outros, e a conseqüente abordagem dos eminentes pesquisadores do passado e da atualidade, desfilam nas páginas desses livros e evidenciam, de imediato, ao leitor, no confronto com a diretriz espírita e com a própria contribuição pessoal que ela apresenta, a superioridade destes conceitos, respostas, explicações e caminhos.

Como de hábito, realçando o Espiritismo, ela afirma: “O Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas correntes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve seguir”.²

Em verdade, o Espiritismo é o grande desconhecido.

Temos que admitir que somente um ínfima minoria teve, até agora, conhecimento de sua existência, daí a importância dessas obras específicas de Joanna, escritas de tal forma que o leitor não espírita tem condições de apreender essa transcendência, seja pela argumentação lógica seja pela visão reencarnacionista e espiritual que a tudo modifica e suplanta.

Esta notável contribuição de Joanna de Ângelis, para um amplo entendimento dos problemas psicológicos, denota, uma vez mais, a sua preocupação em ajudar o ser humano a despertar do sono hibernal dos milênios, propelindo-o para cogitações superiores, motivando-o a buscar a felicidade através da conquista de si mesmo. Tudo isto mais não é que a proposta de Santo Agostinho, conforme a questão 919 de “O Livro dos Espíritos”, quando concita o homem ao autoconhecimento, que a autora espiritual apresenta num discurso atualizado e ao gosto de nossa época.

Isto é VIVER NO FUTURO DA RAÇA.

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1. FRANCO, Divaldo P. Autodescobrimento, pelo Espírito Joanna de Ângelis, 2ª ed.

LEAL, 1996, Salvador (BA) p.13.

2. FRANCO, Divaldo P. O Homem Integral, pelo Espírito Joanna de Ângelis; 2ª ed. LEAL,

1996, Salvador (BA) p.9.

Fonte: Revista Reformador – julho/1998

http://www.terraespiritual.locaweb.com.br/espiritismo/artigo2031.html